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Carlos de Albuquerque
Ouça-me cantar a canção "O Que Me Completa"! Composição: Ana Cristina Intérprete: Carlos de Albuquerque Piano: Bruno Aranha Gravado no estúdio de Ataualba Meirelles Técnico de Gravação: Gilvan Alves Salvador-Bahia-Brasil / Março de 2007

TRADUZA PARA 100 IDIOMAS / NOTA: COMPATÍVEL COM NAVEGADOR GOOGLE CHROME, SAFARI E OUTROS

20 ANOS DE AUTO-EXÍLIO. FALTA POUCO...

Falta pouco pra eu completar 20 anos de Auto-Exílio, em DIAS/HORAS/MINUTOS E SEGUNDOS. Cumprindo assim, minha dolorosa promessa, de, só voltar a pisar na minha terra, local de nascimento, no caso, Ceilândia-Norte / Brasília - Distrito Federal, em duas condições: ou rico e bem sucedido, ou pelo menos, bem encaminhado, e/ou quando completasse 20 anos de ausência. Assim, pretendo enfrentar a dolorosa missão de ir à minha terrinha no ano que vem... Enfrentar minhas dores das perdas e sorrir um pouco, talvez. Não conseguiria prosseguir, abandonando de vez o meu passado. Se alguém sente saudades de mim, ou queira talvez, me matar e me aniquilar por algum erro, essa será a chance de ouro. Embora, a função desse objetivo duro, também envolve a minha obrigação de reparação de erros que, infelizmente fugiu ao meu controle. Quem conhece minha vida de perto, pode imaginar do que estou falando. Tenho um dívida impagável por questões éticas, mas pode ser consertada por condições matemáticas. Isso eu farei à aquela família... Enfim... Estarei lá, pra enfrentar o bem e o mal. Abraços e até lá.

A PROVA DE QUE A MAIORIA DOS VERMELHOS SÃO MASSA DE MANOBRA

ATENÇÃO! Atualizações Semanais deste Blog

MAIS UMA NOVIDADE PARA VOCÊ!
ATENÇÃO! NÃO TENHO CUMPRIDO O ROTEIRO DE POSTAR ÀS SEGUNDAS, PORQUE TENHO TIDO POUCO ACESSO À INTERNET, MAS EM BREVE, VOLTAREI A ESTA ROTINA.

AGRADEÇO À COMPREENSÃO!

Olá! A partir de 20/04/2015, farei um post novo e publicarei toda Segunda-Feira. Sempre com um tema diferente. Será postado entre Meia Noite e 1 (uma) da madrugada das Segundas, pontualmente. Ou posso postar a qualquer momento também. Mas esse dia da semana será obrigatório pra mim. Posts fora desse dia específico serão facultativos. Abraços! Espero que gostem... Ou não, da novidade. De qualquer jeito será assim. (risos)Obrigado pela visita! SEJA BEM VINDO (A)!

O Jeffersonn pegou o sentido da contribuição financeira que a Evanette me confiou hoje!

DEPOIMENTOS VIA FACEBOOK

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Acredito que, se esta ajudando este rapaz , o ''trocadilho'' adulto esperança foi bem empregado, e eu entendi perfeitamente que você esta ajudando alguém a colocar uma ideia em prática ....
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Evanette Oliveira
Perfeitamente Jeffersonn Oliveira você me conhece e sabe como sou...
Curtir (desfazer) · 1 · há 11 minutos

Isso vale pra outras pessoas que me ajudam! Obrigado!
Carlos de Albuquerque
Rio de Janeiro/Curitiba-PR, 28 de Outubro de 2013

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Meus primeiros textos - PARTE 2

ATENÇÃO: ESTOU DISPONIBILIZANDO ESTE CONTEÚDO NA ÍNTEGRA COMO ERA NO MEU PRIMEIRO SITE, COM A MESMA CONFIGURAÇÃO.


Tradução de texto: Claudia Dantas


4) A Viagem Convicta... /// The Convict Trip...

* O texto segue abaixo, mas antes leia este aviso...

Me plageie, mas não estoure nacionalmente...

O crítico não morreu!!!

     Fique à vontade se quiser copiar minhas criações, ganhar dinheiro com elas... Faça o que bem entender. Mas se eu ficar sabendo, o que acontecerá se estourar a nível nacional, que está faturando em cima das minhas palavras sem minha devida autorização, adianto-lhe que não precisarei da justiça, a minha própria inspiração tomará conta de você. E aí... Meu poder investigativo entrará em ação, e a sua reputação vai simplesmente desaparecer. Custará muito caro me copiar! Temos muitos plagiadores na Internet que se aproveitam de obras alheias. Tome cuidado ao se apropriar das minhas. Se tiver alguma dúvida, é só dar uma olhada nos meus textos criticos que estão publicados aqui mesmo.

Obs.: Esse recado é pra quem pretende lucrar em cima do meu Trabalho sem que eu saiba, mas pode copiá-los e usá-los domesticamente, e dar a quem quiser.
                                       Plagiarize me, but dont stay high around nation...
                                                       The critic didnt die!!!
Be at home if you want to copy my creations, earn money by them... Do  whatever you want. But if Ive known that it got around nation and earning money by my words without my authorization. I must say its not nessessary the justice, just my own inspiration that goes through you. Then... My power of investigation will be in action and your reputation will simply disappear. You will pay so so much if you copy me! We have many plagiarizers at internet who get others works. Be careful if you use mine. If you have any doubt, just take a look at my critic texts that are published here.
P.S.: this message is for a person who wants to earn money by my work without my permission, but you can copy them and use them domestically, and send to anybody you want.

        Carlos de Albuquerque
Tradução: Claudia Dantas cacaudantas@yahoo.com.br
 

4) A Viagem Convicta... /// The Convict Trip...

**Não sou contista, e nem sei se isto é mesmo um conto.

Carlos de Albuquerque

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DEPOIMENTO

Onde está o suspense, seu doido? Conto fraco pra dedéu. Vc precisa melhorar bastante, compadre. E o Renato Russo era um gay sem-vergonha, porém cantor de muito talento.

Enviado por JUSTICEIRO (não autenticado* | IP: 201.2.242.215) em 27/11/2006 20:28 para o texto"A Viagem Convicta..."

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      Numa manhã nublada de 1996 em Brasília, Carlos acorda, tranqüilo, depois de uma boa noite de sono. Liga o rádio e, está tocando uma canção da Legião Urbana. Vai ao banheiro, e escovando os dentes pensa reflexivamente, por um momento, a perda de um ídolo...),1996. Dois anos depois da perda nacional, de um dos maiores ícones brasileiros de todos os tempos. Renato russo. Inteligentíssimo, polêmico, difícil, poético, romântico, apaixonado. Talvez, aí é que entra
a contradição. Apaixonado por quem? Pelo quê?, provavelmente, sua paixão podia ser multilateral. Mas, existe aí um paradoxo. Pois, neste momento, cabe-nos uma pergunta: será que ele era capaz de amar o
externo, menos o interno?, será que o externo foi tão forte, a ponto, de tirar-lhe o gosto da própria vida?
      O rock pop nacional e os seus fãs até hoje se perguntam: será que Renato sentia repulsão de si mesmo? Será que o seu falar ligeiro, estridentemente cortante, era a sua inexistência de si? - É! Renato...
Até hoje nos perguntamos quais os seus sentimentos numa decisão de dar cabo à própria vida... Você decidiu morrer, por quê? Você pode responder... Até hoje choro a sua imbecil decisão... O me diz? Por que
não me responde (com lágrimas nos olhos), seu filho da mãe... Sua poesia os seus versos, os seus egos, os seu nervos, os meus nervos... Eu quase morro junto, você sabia? Você quase abala meus planos de futuro (chorando). Pensei eu... Renato, tão criativo, tão inteligente... Se mata. O que será de mim... Vendo virar pó, literalmente, os sonhos de uma nação, representada na liberdade de expressão de um dos
nossos grandes ídolos, que com tantas poesias, e poemas, e melodias, e ritmos, nos sacudiu... (reflete por um momento) "Nas favelas, no senado, sujeira pra todo lado", Mensalões pra todo lado; dança da pizza, pra dançar a impunidade nacional...
- Porra! Dá pra parar? (Carlos dá um tapão em seu
próprio rosto, e repreende a si mesmo)
- Tudo bem.
- Acorda rapaz... Fique aí sonhando e não acorde pra
vida não...
- É mesmo...
      Centro da Ceilândia. Carlos, vendedor de cachorro quente, naquele dia, tomaria uma decisão no mínimo maluca, talvez até imprudente. Mas ele tinha um sonho que acalentava desde criança, quando, aos 9 anos,
ainda era um dos integrantes da fanfarra da Guarda Mirim. Ser músico. Este era o seu desejo. Não se imaginava cantor... Queria ser músico... Músico... Músico... Baterista, mais precisamente. Tinha uma
fisionomia, esbelta, pra não dizer magra... Cabelos pretos, curtos e lisos; dentes brancos amarelados, com algum faltando na lateral. Sorriso simpático; olhos castanhos, expressivos; e boca bem desenhada, com um contorno como se fosse uma linha em um delicado
contornante... Tímido, alegre, pelo menos por fora; sonhador... Um absurdo. Naquele dia de sol entre nuvens, saiu de casa cumprindo a sua obrigação de vendedor de cachorro quente, empurrando o carrinho, e sempre pensando muito. Ao chegar, colocou o carrinho na posição certa, em cima de uma ponta de calçada, que sobrava da feira, onde na parte debaixo do meio fio, era o estacionamento. Após colocá-lo no lugar, abriu a portinha debaixo do carrinho, onde dava acesso as
mercadorias e mantimentos, e começou a montar o empreendimento de seus pais que ele ficou responsável de movimentar. Pegou o botijão de gás de 5 kg , que tinha conectado, um fogãozinho de uma boca; afastou-o por um momento, para poder ter espaço pra pegar as outras coisas. Assim, prossegue. Tira a panela com o molho usado para cozinhar as salsichas, ou melhor, com as salsichas já pré- cozidas; coloca os frascos, um com tampa azul, com ervilhas; um com tampa verde, com milho-verde pré-cozido, e o outro com tampa amarela,
com batata-palhinha frita. Pegou de dentro do compartimento, também, uma vasilha plástica com salada, e outra ainda, com beterraba ralada, também em palhinha. Arrumou tudo, cada coisa no seu devido
lugar, acendeu em fogo baixo, o fogãozinho, pra ir esquentando o molho, levando em torno de meia hora pra realizar todo o processo. Depois disso, com tudo já no seu devido lugar, foi conversar à toa com Marcos, de um quiosque de lanches, próximo do seu carrinho de
cachorro quente. Logo ali do outro lado da pista, a uns 06 metros de distância. A dona do quiosque, Cíntia, neste dia, ainda não tinha chegado, e quem estava lá, era o seu marido, o já citado, Marcos.
- (Carlos se dirigindo à Marcos). Olá Marcos, bom dia!
- Oi Carlos, bom dia!
- Com está você?
- Bem! E você?
- Tudo legal...
Nessa época, Carlos já cantava... Se descobriu cantor,
e o sonho de tocar bateria ficou adiado para, sabe lá
quando!
- É Márcio, fui picado pelo vírus da música e não
consigo mais largar...
- Pois é, eu também tive até vontade de aprender a
tocar, mas não tive muitas oportunidades de aprender,
ou melhor, eu acho que eu não tinha também, lá essas
vontades todas de aprender. Porque, eu acho, que
quando agente quer de fato aprender alguma coisa,
agente aprende. Se não tem dinheiro, arranja outras
maneiras. Também acho que reclamar de falta de
oportunidades é muito vago. Acho que eu não queria
tanto aprender... Mas também, tomei outros rumos na
vida, (refletindo com a voz mais baixa) - mulher, meu
filhinho recém-nascido, uma grande responsabilidade...
Sabe como é, né?
- Sei, eu imagino...
- Olha Marcos, eu mesmo não me casei ainda porque não quis, porque se dependesse das poucas namoradas que arranjei... Com certeza, já estava entrelaçado a um relacionamento, oh! (levanta a mão estalando os dedos, com uma expressão de convicção), a muuuuuiiiito tempo!!! Mas... Sou muito sonhador e quero ter um futuro artístico, por isso... Nada de me comprometer, nada. Tenho muito que caminhar ainda, não posso cair nesta arapuca não. (Márcio lhe corta repentinamente)
- Eu sei que casar, se juntar, é um compromisso
difícil, mas eu também acho, que, se você arranjar, ou melhor, tiver sorte de conseguir uma mulher madura, que realmente goste de você, e queira te ajudar, pros dois caminharem juntos... Pode ser uma boa, você não acha?
- Pode ser, mas prefiro não tentar descobrir esta "sorte" agora não, vou me manter independente, por enquanto. É melhor ficar só namorando de vez em quando, com meus objetivos de vida, sempre em primeiro lugar. No dia que eu atingir as minhas metas, e chegar lá... Aí penso em casamento. Por enquanto... Solteiro é melhor... Porque tomo minhas decisões sozinho. Não quero ninguém ditando ordens pra mim não. Pode até ser que eu me arrependa, mas... Tudo na vida é um risco... Fazer o quê?
- É Carlos (refletivamente) talvez você tenha...
(chega o primeiro freguês ao quiosque depois de meia hora de conversa)
- Oh, meu amigo, bom dia!
- Bom dia! Pois não?
- Eu quero um cachorro quente, só com molho, salsicha, e um pouco de mostarda...
Nisso, enquanto Marcos atende seu freguês, Carlos dá uma olhadinha no seu carrinho de hot dog, e... Ver alguém se aproximando, provavelmente, o seu também, primeiro freguês...
- (o cliente de Marcos, enquanto espera o seu pedido
chegar, pede um refrigerante) Eu quero uma Pepsi, por
favor!
- Pois não!
- Aqui, senhor, o seu cachorro quente. O senhor quer mostarda, Não?
- Isso mesmo...
- Aqui o refrigerante.
Marcos abre o refrigerante, entrega o cachorro quente ao freguês, que degusta-o como se não tivesse tomado café da manhã... Com uma tremenda rapidez. Carlos chega depois de atender ao seu cliente, e Marcos por sua vez recebi o seu dinheiro, coloca-o no caixa, e o
seu freguês sai...
- Obrigado! (se despede o freguês)
- De nada...
Marcos retoma a conversa interrompida...
- Então, Carlos, como eu estava falando...
- (antes Carlos comenta) fizemos as nossas primeiras vendas praticamente ao mesmo tempo...
- (Marcos entusiasmado, responde)É mesmo... Espero que seja um dia legal pra gente...
- É, também espero.
- Mas... Voltando ao assunto...
- Como eu dizia... Eu acho que você pode até ter razão de se manter solteiro e independente, mas... Ainda assim, se eu fosse você eu pensava melhor.
- Já pensei, repensei, pensei de novo, e... (dando uma risadinha meio irônica) é melhor, pra mim, tô falando de mim... É melhor ficar livre...
Marcos, ri, e diz...
- Quem sabe você não está certo, quem sabe!
Na frente do quiosque, um vendedor de fitas cassetes pirata, acaba de montar a sua banquinha, a uns 10 metros do mesmo. Ao terminar de montar, o vendedor coloca uma fita pra rodar, e... Imagine... A música,
Carlos adora e já saber cantar toda a letra. Trata-se de "A Viagem" da Banda Roupa Nova, que na ocasião estava tocando na trilha sonora da novela Global do mesmo nome. Carlos começou a ouvir aquela canção, e empolgado, disse:
- Marcos!!!! Eu sei essa música toda, e eu adoro...
- É mesmo?!?
- É!
Carlos para por um minuto; olha pro chão com um olhar firme, e bem direcionado, e... Sai com uma que Marcos não acreditou no que estava ouvindo naquele momento...
Atônito... Ouviu o que Carlos depois de um momento, como que hipnotizado pela canção... Disse:
- Marcos... (olhando-o firme, bem dentro dos olhos)
- Vou pra São Paulo...
- O quê?
- É isso mesmo que você acabou de ouvir!
- Ficou doido? (Marcos se dirigindo à Carlos ainda sem acreditar)
- Não, não fiquei doido não... E estou falando sério.
Carlos disse:
- Espere aí, eu vou ver quanto custa a fita...
Enquanto Marcos não entendia a reação repentina do colega, Carlos foi ao vendedor.
- Oh, amigo... Quanto custa esta fita?
- R$ 2,50.
- Pôôô!!!! Só tenho R$ 1,50...
- Eu trabalho naquele carrinho de cachorro quente, você confiaria em mim, pra eu te dar esse real mais tarde?
Ummmm!!!! Refletiu o vendedor por um momento...
- Pôcha! Acabei de chegar... Mas... Tá bom!
- Aliás... Eu pensei melhor... Espere um pouco, que eu vou ver se consigo o restante... Pera aí!
Carlos caminhando em direção ao quiosque, perguntou:
- Marcos, você pode me emprestar R$ 1,00... Daqui a pouco te dou...
- Claro, Carlos... Tome aqui.
- Brigado! Já Já te devolvo...
- Tudo bem!
Carlos pegou o dinheiro, deu ao vendedor, que por sua vez lhe passou a fita, e, alegre, com se tivesse ganhado um prêmio, voltou para o quiosque com a sua mais nova conquista nas mãos...
- Obrigado, Marcos! Agora vou me preparar pra cantar no Silvio Santos, no Show de Calouros...
- O quê? (perguntou Marcos)
- É isso mesmo que você ouviu!
- Vou pra São Paulo, fazer inscrição no Show de Calouros...
- Não acredito.
- Acredite, e se der, vou hoje ainda...
- Meu Deus!!!!
- Você tá maluco!
- Se estou, eu não sei dizer, não, mas a minha decisão é esta.
- Ah! E por falar nisto... Vou embora pra casa agora!
- Como? Você mal chegou, e já vai embora?
- Espere um momento, que eu vou arrumar o carrinho, guardar as coisas, e me preparar pra ir pra casa...
Enquanto Marcos, ainda não acreditando, pensava, Carlos arrumava o carrinho... Daí a 20 minutos, com o carro pronto, se dirigiu a Marcos:
- Tchau Marcos, já vou... antes de viajar passo aqui pra me despedir...
- Você vai mesmo? Não está brincando?
- Não, não estou brincando, estou falando sério...
- Então tá, boa sorte!
- Obrigado!
      Assim Carlos foi embora, com essa decisão de fato tomada. Pegou o seu carrinho, e saiu empurrando-o de volta pra casa, apenas 1 hora depois de ter chegado.
       Imagine o que dirá pra sua mãe quando chegar em casa tão cedo, e com apenas um cachorro quente vendido. E o dinheiro, deste único produto vendido? Não estava mais com ele, comprou a fita responsável por sua tão repentina decisão. Ao chegar em casa...
- Oxente, Carlos, o que aconteceu? (pergunta sua mãe, que como Marcos, ficou surpresa)
- Mãe eu vou pra São Paulo.
- Pra São Paulo?!?
- É, vou me inscrever no "Show de Calouros" do Silvio Santos.
- Por que isso agora? Não vai mais trabalhar com o carrinho não?
- Não. Vou ver se completo o dinheiro da passagem e vou ver se dar pra ir.
- Mãe vou aqui e já volto.
Após guardar o carrinho no lugar e tirar os mantimentos pra guardá-los dentro de casa, Carlos sai, e vai na casa de seu grande amigo, o Gersão. Ao chegar, anunciou a sua decisão. Taí, mais um a ficar
assustado com a notícia.
- E aí, Gersão? (cumprimenta-o com a boa energia de sempre, e o largo e simpático sorriso que o acompanha, mesmo em momentos difíceis)
- Beleza Carlos! E aí, e as novidades?
- A novidade é simplesmente uma bomba.
- Como assim?
Carlos dá uma parada; respira, e manda ver...
- Vou pra São Paulo.
- Pra São Paulo? Vai fazer o quê?
- Vou me inscrever no "Show de Calouros" do sbt...
- (Gersão igualmente surpreso, lhe faz uma pergunta)
Cê vai ficar na casa de quem? Já tem lugar certo pra ficar?
- Eu liguei prum pessoal, que eu conheci, quando estava cantando na Banda Pimenta de Cheiro, e eles disseram que quando eu quisesse ir à São Paulo, que me dariam guarida até eu me estabelecer lá.
- E esse pessoal é de confiança? Já pensou se você chegar lá, e eles lhe virarem as costas? E aí como é que você vai se virar? Vai ficar na rua? São Paulo não é Brasília não... É muito perigoso... Tem muito
bandido nas ruas... Pense melhor. Carlos... Pense melhor.
- Já pensei Gersão, e eu vou mesmo. Porque, se o
problema é morrer, ou ser assaltado, etc... Não vejo por este lado, pois, se for pra eu morrer, ou me dar mal, o lugar pouco importa. Morro lá, morro cá, morro acolá, morro em qualquer lugar. Portanto, a minha
decisão é esta e não vou voltar atrás, mesmo sabendo que posso me dar mal.
- Tudo bem, Carlos. Já que você quer... Só posso te desejar boa sorte, e tome cuidado. Qualquer coisa, pode me ligar...
- Quando pretende ir?
- Hoje!
- Hoje? Meu Deus!!!!
Carlos neste momento se despede de Gersão, convicto no que vai fazer, e diz que agora vai na casa de Adailton, seu outro amigo.
- Tchau, Gersão! Vou lá em Adailton, falar com ele também.
Cumprimenta-o, se despedindo.
- Já vou Gersão, antes de viajar passo aqui, tá bom?
- Tá bom Carlos... Tchau!
- Tchau.
Retoma seu caminho em direção a casa de Adailton, que fica próximo do Centro de Ceilândia. Chegando lá...
Seu amigo estava na frente da casa, mexendo no carro de seu pai, o Seu Valdomiro.
- E aí Adailton, beleza?
- E aí Carlão?
- Beleza!
- Vim aqui te trazer uma notícia, e ao mesmo tempo te fazer um pedido...
- Qual foi Carlos Alberto?
- Não se espante com o que vou lhe dizer agora...
- Como assim? É coisa boa ou ruim?
- Não sei... Pode ser boa ou ruim. Mas eu acho que vai ser boa.
- Diga aí! Qual é a boa?
- Vou pra São Paulo!
- Como é que é?
- É isso aí, vou pra São Paulo fazer inscrição no "Show de Calouros" do Silvio Santos.
- Ficou doido Carlão?
- Rapaz, não sei, mas a minha decisão é esta. Tenho R$25,00 e vou ver se consigo viajar naqueles ônibus que fazem linha pra lá. Àqueles, que os camelôs viajam semanalmente pra fazer compras no Brás. É bem mais
barata a passagem...
- Sua mãe já sabe disso?
- Sabe. Eu contei a ela, mas ela ficou sem ação.
- Puxa vida... Você está decidido mesmo?
- Estou.
- Você sabe que São Paulo é perigoso, não sabe... Olha lá, hein?
- Você vai ficar aonde? Na casa de quem?
- Ah! Tem um pessoal lá, que vai me dar uma força, e eu vou ficar na casa deles até eu me estabelecer...
- Mas você conhece esse pessoal direito?
- Mais ou menos... Mas eu vou de qualquer jeito. Ou pra me dar bem ou me dar mal. De qualquer jeito eu vou, não volto atrás.
- Tá certo. Mas o que você disse que ia me pedir?
- Ah!!! É o seguinte... A música que pretendo cantar no "Show de Calouros" é "A Viagem" do Roupa Nova, e por isso, agora de manhã, comprei essa fita no camelô, que tem a música. O que eu preciso fazer é pegar uma outra fita virgem, e gravar nela toda, dos dois lados,
só essa música, repetidamente, que eu vou escutá-la a viagem toda, até... Humm!!! Me esqueci de um detalhe...
- O que foi?
- Não tenho um Walkman...
- Pô! Adailton, você pode me emprestar o seu?
- Pra viajar?
- Exatamente. Eu trago de volta!
- Tá, vou te emprestar... Mas você me devolve não é?
- Assim que eu chegar estará em suas mãos.
- Vamos lá dentro pegar...
- Vamos.
Ao entrarem na casa de Adailton, foram lá pro quarto dele pegar o Walkman. Nessa ocasião, Adailton pegou uma calça, uma camisa, e um cinto e deu pra Carlos.
- Toma aí veja se serve?
Carlos experimenta, conferi, e diz:
- Valeu Adailton, muito obrigado!
Se despedindo...
- Vou nessa aí amigão, que eu ainda vou lá na feira, ver quanto custa a passagem.
- Antes de viajar eu passo aqui... Tchau!
- Tchau! Carlão.
- Tchau.
Carlos segue mais uma vez o seu destino, e vai pra feira onde os ônibus ficam estacionados esperando o horário da viagem. Chegando lá... Vai até o ônibus pra se informar.
- (chegando em um dos carros parados, se dirige ao motorista) Bom dia amigo!
- Bom dia!
- Quanto que é a passagem pra São Paulo?
- É R$ 50,00.
- R$ 50,00?
- É, ida e volta...
- Quais são os horários que tem?
- Tem às 14, 17 e 19 horas.
- Ok.
- Muito obrigado!
- Por nada (reponde o motorista)
Assim Carlos retorna pra casa pra arrumar as suas coisas pra viajar naquele dia mesmo. Já em casa, de mochila nas costas, com algumas peças de roupas, livros, mais fitas cassetes, vai se despedindo de umas
poucas pessoas, pois a sua tão rápida decisão, na sua concepção, não podia passar daquele dia. Decidiu, que pegaria o carro das 14 horas. Assim, prosseguiu o seu efêmero destino. Se despediu de sua mãe, sem demora, para que os sentimentos não interferissem, e o balançasse. Passou rapidamente na casa dos amigos já citados anteriormente, convicto do que estava fazendo.
Se dirigindo a sua Mãe...
- tchau Mãe! (dando um abraço, não muito apertado, pois, o relacionamento dos dois sempre foi muito difícil)
- Tchau, meu filho! Se é isso que você quer...
- Tchau Mãe, tchau! Avisa pro Pai que eu ligo quando chegar em São Paulo.
- Tá bom!
Carlos sai seguindo firmemente o seu caminho. Eram 13 horas, quando saiu. O ônibus sairia as 14. No caminho passou na casa de Gersão. Ele estava consertando uma cama em sua pequena loja de móveis usados. E avistou
Carlos se aproximando e antecipou...
- É, Carlão, tá decidido mesmo, hein?
- Com certeza. A convicção é tanta, que até perdi a noção de tempo. Às vezes, assusto até a mim mesmo.
- Espero que dê tudo certo pra você. Vou ficar aqui na torcida. Mas, olha só... Se alguma coisa der errado, volte pra cá. Não vai ficar lá sofrendo, não, volte logo.
- Obrigado Gersão pela força... Obrigado mesmo, amigão.
Se abraçaram por um momento, e se despediram.
- Boa viagem, Carlos...
- Obrigado. Tchau. Qualquer coisa eu ligo.
Assim Carlos segue. Chega agora à casa de Adailton.
- Entra pelo portão e vai direto lá pro fundo, onde
ele mora com a família. Ao entrar, ele está no quarto, escutando música e arrumando algumas coisas.
- Adailton!!!! (Carlos grita bruscamente, assustando o amigo concentrado, e este por sua vez, dá um pulo, dizendo...
- Porra véi, vai assustar outro!!! (grita de volta Adailton, e os dois caem na risada).
- Porra, o quê, rapaz... Você fica aí pensando na morte da bezerra... Acorda Mané!
- E aí Carlos Alberto, cê vai mesmo né?
- Com certeza, estou passando aqui pra me despedir, e também pegar o Walkman.
Adailton pega o aparelho, e avisa que está sem pilhas.
- Pega aqui, agora tem um probleminha.
- Qual é o problema?
- Não tem pilha, e eu estou sem nenhum centavo.
- Tudo bem, eu me viro!
Assim, os dois se despedem.
- Tchau, amigão! (se despede Carlos)
- Tchau! Cuidado, e tudo bom!
- Tchau! Tchau!
Mais uma vez, pega a estrada e chega ao local de embarque, no Centro de Ceilândia, onde ficam os ônibus de viagem dos camelôs. São 13:43hs, e o motorista do ônibus, já está recebendo a passagem, ou seja, o dinheiro dos passageiros e elaborando a lista com os nomes e nº de identidade dos mesmos.
- Boa tarde, motorista!
- Boa tarde!
- Olha só. O preço da passagem é R$ 50,00 não é?
- Exato. Este é o preço de ida e volta.
- Entendi. Mas eu quero apenas ir. Não vou voltar...
- É R$ 25,00
- Hummm!!! Pois é. Eu tenho exatamente 25, mas não posso gastar todo, porque eu tive que comprar pilha pro "meu" walkman, porque como eu vou pra fazer inscrição no Show de Calouros do Silvio Santos, não posso deixar o aparelho sem pilha, porque preciso, ouvir durante a viagem, a música que pretendo cantar lá. Então preciso das pilhas. Bom, eu tinha 25, gastei 2 com as pilhas, fiquei com R$23,00... Por favor, faça por R$ 20,00... Por favor... Porque como não vou voltar... E não conheço ninguém em São Paulo, preciso, de pelo menos, estes 3 reais para pagar coletivo e pegar algum lanche. E aí, o senhor pode fazer?
- Tudo bem! Não tem problema não.
- Obrigadão!!! Muito obrigado mesmo...
- Já pode entrar se quiser. (diz o motorista)
- Tá bom!
      Carlos entra e se senta. Dentro de 5 minutos o carro vai sair. Pronto. Passado os minutos pra saída, lá vai Carlos, finalmente dando asas a sua polêmica decisão.
      O ônibus se desloca, e com ele os sonhos de um cara que ainda vai preparar muitas surpresas pro mundão...
      Carlos pega o walkman com a fita, contendo as repetidas gravações da música do Roupa Nova, enquanto o carro corre, e corre, e corre, seguindo exatamente o que o título da música sugere, "A Viagem". Pega a BR, enquanto a música vai repetindo-se como o pêndulo de um relógio secular. Batendo, repetindo, batendo... Chega
a noite, Carlos empolgado com a música, começa a cantar. Os outros passageiros começam a gostar de sua performance, e começam a fazer pedidos, e mais pedidos... Por volta das 11 da Noite chegam em
Uberlândia - Minas Gerais. Todos já estão um pouco mais calmos e Carlos expia pela janela as luzes da cidade que passa. Saindo da cidade, ele observa pela janela a passagem frenética da escuridão, intercalada com alguns vultos, atraindo alguns pensamentos, por um
momento de terror com o vulto alienável do desconhecido. Entra a madrugada, todos, sem exceção, dormem. Amanhece. Está chegando São Paulo. Carlos, liga novamente o walkman, e se distrai com a batida
repetitiva do pêndulo musical de "A Viagem", cochila... Quando acorda, vê se aproximar o pedágio na entrada da cidade.
- Chegamos, finalmente!!! Diz Carlos, em meio a
bocejos preguiçosos.
O ônibus segue direto para o Bráz, que o local em S. Paulo , onde a maioria dos camelôs fazem suas compras, e onde os ônibus, fazem o seu fim de linha.
- Chegamos! (pensa Carlos)
Avisa o motorista...
- Pessoal, sairemos à tarde, às 17 horas em ponto. Não se atrasem, por favor!
      Ao sair do ônibus, agradeceu ao motorista, e seguiu o seu caminho. O Programa do Sílvio, é gravado no Bairro do Carandiru, e Carlos, depois de se informar, segue para o ponto de ônibus pra pegar o transporte. Antes disto, resolveu ligar para aquele suposto pessoal, que
disse que daria guarita ao nosso amigo. Assim, Carlos foi ligar. Não se sabe se, por ter acordado o pessoal tão cedo, recebeu a primeira bomba do dia. Da qual um de seus amigos tinha o alertado. Pensou ele...
- Bom, aquele casal me disse lá em Brasília, que, quando eu viesse à São Paulo, que eu podia ligar, que eles me dariam um apoio temporário aqui. Então, eu vou ligar. Carlos pegou o cartão telefônico, e começou a discar pro número que o casal tinha lhe dado. Ele disca, espera um pouco, e um homem atende um pouco irritado. Pudera, né! Eram 7 da manhã...
- Alô!
- Alô, aqui é Carlos lá de Brasília, amigo de Mário, seu primo. Se lembra, eu sou cantor, e você Eduardo, e sua esposa me disseram, que, quando eu viesse pra São Paulo podia procurar vocês, lembra?
- Lembro, mas...
- Pois é, eu acabei de chegar agora, às 7 horas. Eu estou aqui no Braz...
- É mesmo, rapaz... Mas tenho uma má notícia pra você...
- (Carlos, para por um momento, sem acreditar, e pensou...) Eu me ferrei!
- Não posso fazer nada por você neste momento, pois estou com muitos problemas agora e não vou poder te atender não, e agora, infelizmente, tenho que desligar. Um abraço, e boa sorte! (Eduardo, encerra assim a sua parte na história, deixando nosso amigo desiludido).
- Tô ferrado agora... Tô ferrado. Mas tudo bem, vou continuar a buscar o que eu vim buscar aqui, e não vou me abater não...
      Assim Carlos volta ao ponto de ônibus, pra pegar a linha Carandiru, pra ir pra fila do "Show de Calouros". Por volta das 8 da manhã estava na fila de inscrição para aguardar o atendimento previsto para 6 horas da tarde. Enquanto isso. Lá no mesmo local tinha uma fila só de mulheres que assistiriam o Programa "Topa tudo por dinheiro". Assim, ele começou a bater um papo com as mulheres da fila, que ao perceber que aquele rapaz não era daquelas bandas, ficaram curiosas e começara a lhe fazer perguntas.
- Você é de onde? (perguntou uma delas)
- Sou de Brasília.
- De Brasília?
- Logo vi que ele não era daqui... (falou outra delas)
- O que veio fazer aqui?
- Vim fazer inscrição no Show de Calouros...
- Como assim? Porque não fez a inscrição lá mesmo de sua terra, pelo correio?
- Ah! Porque, se eu escrevesse de lá, eu ia morrer de esperar, e eles não iriam me chamar, por isso, eu vim pessoalmente. Quem sabe a chance não é maior...
- O que você faz?
- Sou cantor...
- É!?! Cante alguma coisa aí pra nós.
- A música que eu quero cantar, é "A Viagem" do Roupa Nova, aquela da novela.
- Cante aí pra nós... Eu sei qual é a música, e é muito bonita... Cante aí vai!
Carlos canta "Há tanto tempo que eu deixei você, fui chorando de saudade..." As mulheres ficaram exaltadas com a voz de Carlos, que nesse tempo, embora com pouco tempo de estudos, já era bonita e tecnicamente muito boa.
- Nossa!! Muito bonita sua voz...
Nisso, a fila já começava a andar, e elas começavam a entrar pra assistir programa. Aí uma delas disse...
- Amanhã eu venho por aqui, e se te encontrar, vou ver se posso te dar uma força...
- Tá bom! (disse Carlos)
Entretanto, uma outra, se interessou mais em ajudar, e lhe deu o nº do telefone de casa dizendo...
- Olha, meu nome é Denise... Ligue pra mim amanhã às 10 horas da manhã, que eu vou conversar com meu irmão pra ver se você pode ficar lá em casa temporariamente, até você conseguir se estabelecer aqui ou conseguir a passagem de volta pra sua terra.
      Carlos, não acreditando muito que isso aconteceria, pegou o nº dela, e ela ainda lhe ofereceu um lanche, que inicialmente ele recusou, pois tinha ainda R$ 2,40 no bolso que dava pra ele lanchar pelo menos naquele dia. Mas ela insistiu, e ele acabou aceitando. E mais, ela lhe deu o cartão telefônico com algumas unidades pra que ele ligasse. Ela entrou, pra assistir o programa, e ele permaneceu na fila o dia todo, saindo eventualmente pra fazer algum lanche e voltando. Por volta das 5 da Tarde, caiu uma chuva torrencial, daquelas de parar o trânsito da segunda maior metrópole do mundo. As 6 da tarde começaram a nos atender. Mandaram os candidatos preencherem uma ficha de inscrição, e depois de preenchidas, receberam a informação, que pros outros candidatos, com certeza, era tranqüilo, mas pra Carlos...
- Pessoal!!! (alguém da produção gritou) Depois que vocês preencherem a ficha, podem entregá-la pra nós, e podem ir pra casa esperar, que enviaremos um telegrama para os selecionados, ok? Nesse momento, Carlos colocou a mão na cabeça, e disse pra si mesmo...
- 1.100 km de distância... Como é que eu vou pra casa esperar telegrama... Tô ferrado...
- Já eram 7 da noite, portanto, escuro, naquela cidade estranha pra um brasiliense totalmente desnorteado...
Perdido... Mas viu também que não ia adiantar muito se lamentar,
o jeito era se virar e tentar arranjar um jeito de voltar pra casa. Passou na Delegacia, pra se apresentar... Pra dizer que era de fora, e deixá-los
cientes de que, se houvesse algum problema com ele, eles já saberiam de quem se tratava. Mostrou os documentos ao agente de plantão, e explicou-lhe a sua situação, no qual, o agente achou tão estranho, que
não se agüentou e caiu na risada.
Explicou- lhe...
- Veja bem! Você pode ir na Rodoviária do Tietê, lá tem uma assistente social, e geralmente, eles dão passagem para os migrantes voltarem para as suas terras de origem. Eu acho que você for lá agora, você
ainda pode achar ela, e aí, quem sabe você não consegue voltar pra casa? Vá logo, vá agora... Você segue aqui, essa rua direto, ao chegar lá na frente, você vira à esquerda e segue direto... Se tiver dúvida, pergunte a alguém de idade, ou a algum policial, onde fica. É fácil, não tem errada. Vá logo, pode ser que ela ainda esteja lá. Antes de seguir, entretanto, Carlos resolveu passar no Caixa eletrônico do Bradesco 24hs, e algo surpreendente aconteceu. Quando colocou o cartão na máquina, pra ver se sua família tinha depositado a seu pedido os R$20,00 na sua conta, ela simplesmente, a filha da mãe engoliu o seu cartão, e Carlos ainda por cima ficou preso dentro do caixa
eletrônico. Entrou em desespero... Quando já estava entrando em pânico... (pensou ele...)
- Droga! Já pensou se a polícia passa e pensa que eu estou querendo roubar no caixa eletrônico?
- Até eu conseguir explicar, já tomei um monte de porrada...
Desesperado, ele acenou pra alguém que ia passando na rua, e a pessoa, indicou que ele empurrasse uma chavinha que tinha lá na porta pra baixo que ela abriria...
- (batendo na porta de vidro) Ei!, Ei! Moça, estou preso, como é que abre?
- Empurre esta chavinha aí na sua frente que ela abre...
- Qual?
- Essa aí na porta... Empurre pra baixo.
- Essa aqui?
- Sim... Empurre!
        Carlos empurra, e finalmente se livra aliviado.
Pensando em pelo menos dizer obrigado à pessoa que o salvou... Não a achou mais, ela desapareceu rapidinho.
        Talvez ficou com medo de estar soltando um bandido, e não quis esperar pra ver, não. Era por volta das 8 da noite na grande São Paulo. Depois de aliviado por sair deste sufoco, seguiu caminho pra Rodoviária.          Quando chegou lá, a assistente social já tinha ido embora.
Então, já que não tinha mesmo onde dormir, resolveu ficar ali mesmo no Terminal do Tietê até de manhã, quando procuraria a assistente social. Assim, sentou-se por ali mesmo sob os olhos dos desconfiados
seguranças, e foi adormecendo... adormecendo... e só acordou pela manhã. Acordou as 7, e foi procurar se informar onde encontraria o Serviço Social. Lhe informaram que ela só chegaria às 9 da manhã. Aí ficou por ali enrolando até dar o horário. Quando faltavam 10 pras 9, ele se deslocou em direção à assistência social. Chegando lá...
- Bom dia, senhora!
- Bom dia!
- Pode entrar... Sente-se.
- Obrigado!
- Qual é o problema?
- E sou de Brasília e vim só com a passagem de volta pra fazer inscrição no Show de Calouros do Silvio Santos, mas assim que terminei de preencher a ficha, eles mandaram todos pra casa, pra esperar um
telegrama, para os selecionados. Quer dizer, eu me ferrei, quero ir embora, não tenho a passagem pra voltar.
- Por enquanto, as passagens estão suspensas. A única coisa que posso fazer por você neste momento, é te dar uma autorização pra entrar no albergue.
- Albergue?
- É a única saída neste momento...
Carlos, quase não acreditando na enrrascada que se meteu, não teve escolha. O jeito era aceitar. Fazer o quê?
- Já que eu não tenho escolha...
Enquanto a assistente social preenchia a guia do albergue, Carlos pensava... Quase chorando...
- Que merda eu fiz!
- Que merda.
- Aqui meu filho, você segue esta rua aqui de trás do Terminal, chegando bem lá na frente você pergunta onde fica o Albergue da Prefeitura que qualquer pessoa te informa. Boa Sorte!
- Obrigado!
- Tchau!
- Tchau.
Ao sair da sala da assistente social, sabendo-se na pior, começou a virar seus passos pro Albergue, quando se lembrou do telefonema que Denise, a menina da fila tinha lhe dado. Numa mão, a ficha do Albergue, o qual ele não agüentava nem olhar. Na outra, o improvável nº de Denise...
- E agora, o que eu faço?
- Vou pro albergue logo de uma vez, ou telefono pra Denise? (pensava Carlos, totalmente indeciso)
- Ah! Nem vou ligar pra Denise, porque é muito difícil acontecer da família dela permitir um estranho na casa deles, mas ela mandou ligar... (pensava Carlos num terrível dilema)
- Pô! Mas... Ir pro Albergue também é foda.
- E agora, o que é que eu faço?
Carlos, olhava pras duas mãos. Numa, estava a guia do temível Albergue. Na outra, o telefone de Denise, na sua concepção, improvável. Pesou, pensou, repensou...
- E agora? Denise disse pra eu ligar, mas eu sinceramente, acho muito difícil o irmão dela deixar um estranho morar com eles dentro de casa... (ao mesmo tempo que pensava nesta remota possibilidade, sabia também, que ir pro Albergue seria muito pior.
Então tomou uma decisão finalmente, e pensou...
- Olha, eu não tenho nada a perder se eu ligar. O máximo que ela vai dizer é: sinto muito Carlos, mas meu irmão não permitiu. E essa resposta, eu já estou preparado pra ouvir. Então Vou ligar, vou arriscar.
Assim, ele pegou o cartão telefônico que Denise lhe deu, pegou o nº e discou. Duas chamadas alguém atendeu.
- Alô, gostaria de falar com Denise!
- É ela, quem está falando...
- Oi Denise, tudo bom? Aqui é Carlos de Brasília, lembra que ontem você pediu pra eu te ligar... (antes que ela respondesse ele disse)
- Olha, eu liguei porque você mesma pediu que eu ligasse, mas...
- Ah sim (interrompeu Denise) Eu falei com meu irmão e ele disse que você pode vir pra cá pra casa...
- O quê? Eu escutei direito? Quer dizer que eu posso ir?
Carlos, neste momento, completamente atônito, sem acreditar, começou a rir... Nisso Denise disse...
- Faça o seguinte. Aguarde aí na catraca do metrô, que eu vou mandar uma amiga minha te buscar aí.
- Tá bom, posso mesmo esperar?
- Pode! Dentro de meia hora, ela chega aí.
- Obrigado Denise!
- Por nada! Espere ai, que ela já está chegando...
- Tudo bem! (e desligou)
Carlos, naquele momento, era de uma felicidade enorme, pois as suas perspectivas em São Paulo não era das boas não. Ele sorriu, quase chorando, disse pra si próprio...
- Tá vendo porra, quando agente quer uma coisa com plena convicção, até as circunstâncias ajudam, tá vendo?
Ainda desconfiado, esperou no lugar marcado, e enquanto esperava, aproveitou pra entrar numa livraria ao lado da catraca do metrô. Quando menos esperava, chegou uma pessoa com as características que Denise descreveu. Ele percebeu e foi até ela, e ela mesma
indagou...
- É você que é Carlos, que Denise me mandou buscar?
- Sou eu mesmo! E você é Márcia?
- Sim sou eu... Vamos?
- Vamos... Agora tem um probleminha...
- Qual é?
- É que eu estou sem grana pro metrô...
- Não tem problema não. Toma aqui o vale... Nos vamos parar na estação Conceição, e lá, vamos pegar um ônibus até Americanópolis, que e o bairro que Denise minha grande amiga mora. Estão todos lá te
esperando... O metrô chegou, e embarcaram numa pequena viagem quase inacreditável. E Carlos nos deixa uma grande lição: busque sem cessar os seus sonhos, e não acredite menos do que acreditar que é possível, nem que se tenha que sacrificar pequenos prazeres, e o conforto seguro do lar.

*Aguarde futuramente a continuação dessa aventura...

 

        Carlos de Albuquerque

Publicado no Recanto das Letras em 17/11/2006
Código do texto: T294130





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